Ciclo
Amanhecer enevoado arrefece o corpo semi-acordado. A paisagem é uma tela inacabada, tinta fresca de horizontes por pintar. A alma pede conforto, o nevoeiro traz solidão. Eu quero a solidão! Alhear-me da realidade, fugir ao rebanho deambulante.
Condição humana de escravidão, o Homem segue um caminho linear, subjugação! Riem-se os demais animais com a sua liberdade aparente. Riem jocosamente, e no meio de tanta gargalhada, rompe o trovão. O tiro balístico que fura sem contemplação a carne animal. Tapete de Carcaças, a gloriosa passagem do ser racional.
Edifica, destrói, ferramenta de apodrecimento terrestre. O peão sacrificado de sonho iludido depara-se com a morte no fim do seu caminho. No último sopro pede a ascensão, responde-lhe o vazio, o silêncio desmedido.